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Eventos e Celebrações

Os Solistas do Concerto 1755
Música Italiana da corte portuguesa
Sinopse
No reinado de D. João V (1706–1750), a música italiana assumiu um papel central na vida musical da corte portuguesa. Esta orientação correspondeu a uma estratégia cultural sustentada pela aproximação diplomática à Santa Sé e pela adoção de modelos artísticos associados ao prestígio de Roma e dos principais centros musicais italianos. Lisboa procurou alinhar-se com uma linguagem musical reconhecida e partilhada no espaço europeu.
O concerto de violino, género dominante na produção instrumental italiana das primeiras décadas do século XVIII, enquadra-se plenamente neste contexto. Os concertos de Antonio Vivaldi (1678–1741) e Tomaso Albinoni (1671–1751) ilustram duas abordagens distintas desse modelo. Em Vivaldi, a escrita evidencia contraste formal claro e exploração sistemática do virtuosismo do solista. Em Albinoni, observa-se uma linguagem mais contida, com maior atenção à linha melódica e ao equilíbrio estrutural. Ambos os compositores tiveram ampla difusão europeia, e as suas obras circularam através de edições impressas e manuscritos, sendo conhecidas em ambientes cortesãos e eclesiásticos portugueses.
A Sinfonia fúnebre de Pietro Locatelli (1695–1764), insere-se na produção instrumental italiana do período, caracterizada por escrita expressiva e tratamento denso das cordas. A obra desenvolve discurso grave e concentrado, afastado do virtuosismo concertante, explorando uma intensidade expressiva que contrasta com o brilho dos concertos solistas.
O Concerto de Prinz Johann Ernst von Sachsen-Weimar (1696–1715) evidencia a consolidação do concerto italiano como linguagem transnacional. A obra adopta estruturas formais e procedimentos técnicos característicos do género, confirmando a assimilação desse modelo por compositores activos fora de Itália e a sua integração num vocabulário instrumental comum.
As Danças de Giovanni Bononcini (1670–1747) revelam uma dimensão mais leve da produção italiana do início do século XVIII. Escritas segundo modelos formais simples, frequentemente em estrutura binária e com perfil rítmico associado à tradição coreográfica, estas peças privilegiam clareza melódica e regularidade harmónica. A sua circulação europeia testemunha a popularidade de um estilo direto e comunicativo que coexistia com o modelo concertante.
Em conjunto, estas obras refletem um momento em que Lisboa se encontrava ligada aos principais circuitos musicais europeus. O programa evidencia a integração de modelos italianos na prática musical portuguesa do reinado de D. João V, num contexto em que a música instrumental participava da afirmação cultural da corte no início do século XVIII.
Músicos
Violino I - Nuno Mendes
Violino II - Norberto Fernandes
Viola - Pedro Pereira
Violoncello - Pedro Massarrão
Programa
Giovanni B. Bononcini - Suite (Opera Settima)
Prinz Johann Ernst von Sachsen-Weimar - Concerto no. 6 em Sol menor
Albinoni - Concerto a 5 op.7 no.1 em Ré Maior
Locatelli - Sinfonia funebre composta per le Essequie della sua Donna che si celebrarono in Roma, em Fá menor
Vivaldi - Concerto per Violino in La minore, RV 357