XXIV Domingo do Tempo Comum

Uma palavra fraterna...
À pergunta de Pedro: "quantas vezes deverei perdoar-lhe", Jesus responde: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete».
O mesmo é dizer: não somente algumas vezes, mas sempre...
Alguém afirmou: a medida do perdão é, perdoar sem medida...
O Evangelho, não se resume a um conjunto de normas e preceitos que regulem o nosso comportamento, o nosso agir moral. Está muito para além disso. Revela-nos até onde vai o amor de Deus por nós. Esta a feliz notícia: esse amor incondicional de Deus para connosco.
Perdoar sempre, porquê? Qual a origem e a razão de ser, deste imenso desafio de Jesus para nós hoje e sempre? Porque este é o modo de Deus agir para connosco...
A parábola que hoje escutamos, não nos deixa indiferentes.
Todos nos revemos na injustiça da atitude daquele que depois de ter solicitado para si o perdão de sua divida, não o consegue fazer para quem tinha uma dívida, incomensuravelmente inferior à dele.
Nem sempre a justiça ou o mero cumprimento da lei, são suficientes para gerar um clima de fraternidade, onde a dignidade de cada um possa ser respeitada.
Não desvalorizamos o valor da justiça ou a importância da Lei. Todo aquele que quer ser discípulo de Jesus rapidamente descobre como, para superar muitas situações, é necessário ir para além do que está prescrito.
Não é uma questão de querer ou poder mas sim esse superar-se a si mesmo para que na nossa vida todos possamos ter acesso a uma liberdade e dignidade de vida maior.
Esta a novidade do Reino que Jesus nos convida a participar e a construir.
Todos detemos um divida que nunca poderemos saldar...
A dívida de se saber amado...
Por isso, a exigência do perdão e de todo o coração, sem reservas, sem rancor,...
Um amor, quando autêntico e verdadeiro, expressa-se numa atitude de fé e confiança no outro. Deus é assim para connosco, nunca desiste nós, ... acredita em nós... E estímulo e uma força inestimável...
Para todos, e através de cada um de vós, junto daqueles que mais precisam, uma palavra de conforto e de esperança, fraterna e amiga, nesta celebração da vitória do amor.
Pe. João Valente.

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