XXII Domingo do Tempo Comum
- paroquiasjbritolis
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Uma palavra fraterna...
Dificilmente não deixariamos de ficar perplexos ou perturbados ao escutar uma vez mais as palavras de Jesus: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me»...
Compreendemos melhor a reação de Pedro, que, ao ouvir Jesus falar de rejeição e sofrimento, O chama à parte e começa a repreendê-Lo.
Este escândalo, pode tornar-se insuportável hoje, para aqueles de nós, que vivemos numa «cultura de analgésicos». Uma sociedade obcecada em eliminar o sofrimento e o desconforto por meio de todo tipo de drogas, narcoticos e evasões, fuga à realidade...
Se queremos esclarecer qual deve ser a atitude cristã, temos que entender bem em que consiste a cruz para o cristão, porque pode acontecer que a coloquemos onde Jesus nunca a colocou.
Chamamos facilmente de «cruz» a tudo o que nos faz sofrer, mesmo aquele sofrimento que aparece na nossa vida consequência do nosso pecado ou pela nossa maneira errada de viver. Não devemos confundir a cruz com qualquer infortúnio, contrariedade ou desconforto que ocorra na vida.
A cruz é outra coisa. Jesus chama os seus discípulos a segui-'O fielmente e a colocarem-se ao serviço de um mundo mais humano: o Reino de Deus. A cruz nada mais é do que o sofrimento que nos advirá como consequência deste seguimento; o doloroso destino que não podemos deixar de partilhar com Cristo se realmente seguirmos os Seus passos. E por isso que não devemos confundir o «carregar a cruz» com atitudes masoquistas ou uma falsa mortificação.
Compreender que, o «negar-se a si mesmo» que Jesus pede, carregar a cruz e segui-Lo, não significa de modo algum mortificar-se, castigar-se e, menos ainda, anular-se ou autodestruir-se. «Negar-se a si mesmo» é não viver dependente de si mesmo, esquecer-se do próprio «ego», para construir o nosso viver em Cristo. Libertarmo-nos de nós mesmos para aderir radicalmente a Cristo.
Dito por outras palavras: «carregar a cruz» significa seguir Jesus disposto a assumir a insegurança, o conflito, a rejeição ou a perseguição que o próprio Crucificado teve de sofrer.
Nós crentes, não vivemos a cruz como derrotados, mas como portadores de uma esperança. Todo aquele que perder a vida por Jesus Cristo a encontrará. O Deus que ressuscitou Jesus também nos ressuscitará para uma vida plena.
Para todos, principalmente aos que mais precisam,
uma palavra de esperança, fraterna e amiga,
Pe João Valente

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